James Cameron, um dos pioneiros na tecnologia de motion capture no cinema, considera “horripilante” o uso de atores gerados por inteligência artificial. Conhecido por seus trabalhos em Avatar, Titanic e O Exterminador do Futuro, o diretor foi enfático sobre o assunto: “Não quero que um computador faça o que eu me orgulho de ser capaz de fazer com atores. Não quero substituir atores, eu amo trabalhar com eles”, afirmou categoricamente.
Em uma entrevista, Cameron relembrou que, por anos, muitos consideraram seu trabalho com motion capture uma forma de substituir atores. Ele discorda dessa visão, explicando: “Na verdade, quando você vê o que estamos fazendo, é uma celebração do momento ator-diretor”.
Para o cineasta, a acusação de substituição de atores se aplica, na verdade, à IA generativa. Ele avalia: “Se você vai para o outro extremo do espectro, o que tem é a IA generativa. Com ela, eles podem construir um personagem, construir um ator, construir uma atuação do zero, só com um prompt de texto”. E conclui: “Não, isso é horripilante… é exatamente o que não fazemos.”
Cameron também afirmou não temer que seu trabalho seja prejudicado pela tecnologia, já que ele acredita que a IA não seria capaz de criar algo genuinamente novo. “Você vê toda a arte e a experiência humana colocadas em um liquidificador, e o que você obtém é uma média disso. Você não tem a experiência de vida de um roteirista, nem seus traços característicos. Você não tem as idiossincrasias de um ator em particular”, ele analisa.
Embora membro do conselho de diretores da Stability AI e sua produtora, Lightstorm Entertainment, seja parceira da Dell, Cameron já teve declarações mais positivas sobre a IA generativa. Em 2023, ele previu que a tecnologia poderia auxiliar cineastas jovens e reduzir tempo e custo de produção.
Mesmo assim, suas críticas persistem. Ele já avisou que não pretende usar um modelo de IA para roteiros, pois considera que cada escritor possui uma “lente particular sobre o mundo, uma experiência de vida única, e é o que eles podem expressar”.
Contudo, a principal preocupação de Cameron com a tecnologia transcende o cinema. Ele pondera que a transformação da IA em arma é o maior perigo. O cineasta vislumbra um cenário onde países competiriam para desenvolver tecnologias de combate cada vez mais potentes e rápidas, podendo levar a uma situação fora de controle. “Eu avisei em 1984 e vocês não ouviram”, brinca o diretor e co-criador de O Exterminador do Futuro, filme em que um sistema de defesa com inteligência artificial se rebela contra a humanidade.

