A venda de celulares ilegais no Brasil diminuiu pelo segundo ano consecutivo, com cerca de 4,5 milhões de unidades piratas comercializadas até o fim de 2025. Este número representa uma redução de 3,2 milhões em relação a 2024, fazendo com que a participação do mercado irregular caia de 19% para 12%, o menor índice registrado desde 2020.
A Xiaomi mantém sua posição como a marca líder no mercado de contrabando, embora tenha perdido espaço para a Realme. Ambas as marcas, segundo a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), utilizam um modelo semelhante de importações via Paraguai, facilitando o descaminho ou contrabando para o Brasil.
A queda nas vendas de celulares ilegais é atribuída à atuação coordenada entre diversas entidades, incluindo a Abinee, Anatel, Senacon, Polícia Federal, Receita Federal, Legislativo e Sefaz-SP. Em junho de 2024, a Anatel chegou a ameaçar multar a Amazon e o Mercado Livre por permitir a veiculação de anúncios de smartphones não homologados em suas plataformas. Dados da agência revelaram que 51% dos celulares anunciados na Amazon e 43% dos vendidos no Mercado Livre não possuíam homologação.
Além disso, a Anatel considerou a possibilidade de bloquear completamente o acesso aos dois marketplaces, uma medida drástica para combater a comercialização ilegal. O caso foi levado à Justiça, onde a agência reguladora enfrentou alguns reveses.
A Polícia Federal e a Receita Federal também intensificaram suas operações contra a venda de celulares ilegais. Entre as ações conjuntas destacam-se:
- A Operação Corisco Turbo, que desarticulou um grupo envolvido na lavagem de R$ 1,6 bilhão.
- A Operação Desabastecimento, que mirou uma associação criminosa responsável por movimentar R$ 80 bilhões em três anos.
É importante diferenciar os crimes: o contrabando refere-se à importação de mercadoria que exige autorização de órgão público sem a devida permissão, enquanto o descaminho ocorre quando não são pagos os impostos devidos pela importação.
No que tange ao mercado legal, o setor oficial de smartphones registrou uma queda em 2025, com 31,8 milhões de aparelhos vendidos, uma redução de 2% em comparação com 2024. O total de celulares (incluindo modelos tradicionais) somou 32,4 milhões de unidades, uma queda de 3% em relação ao ano anterior. Apesar da redução no volume, o faturamento da área cresceu 12% nominalmente, atingindo R$ 47,7 bilhões. Esse aumento foi impulsionado pela mudança no perfil de consumo, com preferência por equipamentos mais sofisticados e de maior valor.
A Abinee projeta que a venda de celulares ilegais continuará em declínio em 2026, graças à continuidade das ações de fiscalização. Embora o avanço seja significativo, a prática ainda é uma preocupação e exige ações permanentes. A expectativa é que o índice possa recuar substancialmente no próximo ano, e o faturamento da área de telefones celulares deve apresentar um crescimento real de 3% em 2026.
A indústria elétrica e eletrônica brasileira encerrou 2025 com resultados positivos, mesmo diante de um cenário macroeconômico desafiador. O setor registrou um crescimento real no faturamento de 4%, totalizando R$ 270,8 bilhões. O número de empregados aumentou 1%, com a criação de 3,5 mil novas vagas, somando 288 mil trabalhadores. Os investimentos também subiram 9%, alcançando R$ 4,7 bilhões.

