A Meta está reestruturando profundamente sua divisão de inteligência artificial, sinalizando um afastamento da filosofia de código aberto que defendeu nos últimos anos. Esta mudança estratégica tem como objetivo principal priorizar a lucratividade e o controle sobre suas tecnologias de IA.
O ponto central dessa transformação é o modelo Llama 4, que, apesar de ainda não ter sido lançado, já é alvo de debates. Com previsão de lançamento para meados de 2026, espera-se que o Llama 4 seja um produto rigorosamente controlado pela Meta, marcando o fim da era exclusivamente open source para a empresa no campo da IA.
A decisão de mudar a estratégia foi impulsionada por diversas fatores. Fontes próximas à empresa indicam que a transição foi acelerada após o cancelamento do projeto intermediário “Behemoth”, levando Mark Zuckerberg a focar em uma nova arquitetura, batizada de “Avocado”. Essa mudança também responde a fortes pressões financeiras, alinhando a Meta aos modelos de negócios de suas rivais, como OpenAI e Google, na busca por rentabilizar os vultosos investimentos no setor de IA.
Investidores de Wall Street têm questionado os gastos da Meta, especialmente diante da promessa de Zuckerberg de desembolsar US$ 600 bilhões em projetos de infraestrutura de IA nos Estados Unidos nos próximos três anos. O modelo de código aberto tem dificultado a monetização necessária para justificar tais despesas.
O desenvolvimento do projeto “Avocado” está a cargo de um grupo de elite recém-formado por Zuckerberg, conhecido como TBD Lab. Para treinar este novo modelo, a equipe está utilizando dados extraídos de sistemas concorrentes, incluindo Gemma (Google), gpt-oss (OpenAI) e Qwen (Alibaba).
Para financiar essa nova aposta estratégica, a gigante da tecnologia já implementou cortes significativos. A unidade de pesquisa acadêmica (FAIR) sofreu redução de pessoal, e verbas foram redirecionadas da divisão de realidade virtual e metaverso, indicando uma clara redefinição das prioridades da empresa.
Além dos desafios técnicos, a Meta enfrenta obstáculos regulatórios. O uso interno do termo “superinteligência” para descrever projetos de longo prazo gerou preocupações em pesquisas de mercado, com legisladores, particularmente na União Europeia, associando o termo a potenciais riscos de segurança descontrolados.

