A Rússia pode banir o WhatsApp definitivamente no país. A Roskomnadzor, agência federal responsável pela supervisão de comunicações, emitiu um alerta sobre o possível bloqueio do aplicativo, que será implementado caso o app da Meta não cumpra integralmente a legislação local.
Esta notificação faz parte de um movimento do Kremlin para substituir tecnologias ocidentais por soluções domésticas. Alega-se que o WhatsApp é utilizado para organizar ataques terroristas e recrutar criminosos. Desde agosto, chamadas de voz e vídeo no aplicativo sofrem restrições, embora o envio de mensagens de texto continue funcionando.
A mídia local aponta que operadoras de telefonia móvel foram instruídas a bloquear o envio de códigos SMS para autenticação de usuários. Em resposta, a Meta implementou uma opção de login via senha para contornar este bloqueio. Segundo agências de notícias como Interfax e TASS, as limitações continuarão gradualmente até o cumprimento das exigências estatais. Desde o início da guerra na Ucrânia em 2022, a Rússia intensificou o controle sobre o espaço digital, banindo redes sociais americanas como Facebook, Instagram e X/Twitter, além de restringir o acesso ao YouTube e limitar conteúdos estrangeiros no TikTok.
Max: A Alternativa Obrigatória
O endurecimento contra o WhatsApp coincide com a promoção de alternativas locais. A principal delas é o Max, um superaplicativo estatal desenvolvido pela VK Co., empresa que controla a maior rede social da Rússia, conhecida como “Facebook russo”.
Inspirado no WeChat chinês, o Max centralizará diversos serviços:
- Serviços governamentais
- Armazenamento de documentos
- Transações bancárias
- Mensagens instantâneas
Desde setembro, celulares e tablets vendidos no país devem ser comercializados com o Max pré-instalado. O objetivo oficial é criar um canal de comunicação integrado aos serviços públicos. Segundo a Reuters, essa centralização de dados pode facilitar a vigilância estatal sobre os cidadãos, embora a mídia oficial russa negue, defendendo que o aplicativo solicita menos permissões que seus concorrentes ocidentais.
A estratégia de substituição de tecnologias ocidentais se estende a outros dispositivos. A partir de janeiro de 2026, todas as smart TVs vendidas em território russo deverão incluir o aplicativo Lime HD TV, garantindo acesso facilitado aos canais estatais de televisão. Essas medidas visam reduzir a dependência de ecossistemas controlados por empresas dos Estados Unidos.
