Desvendando os Buracos de Minhoca: A Teoria Científica por Trás de Stranger Things

A série Stranger Things, em seus novos episódios, revelou que o misterioso Mundo Invertido é, na verdade, uma espécie de “buraco de minhoca”. A descoberta, crucial para a trama, aprofunda o mistério do Mundo Invertido. Entenda mais sobre esse conceito a seguir.

O Abismo e o Mundo Invertido

No enredo, o que inicialmente parecia ser um gerador de campo de força do Mundo Invertido revelou-se uma matéria exótica. Posteriormente, a dimensão alternativa é apresentada como um buraco de minhoca instável, funcionando como uma ponte entre Hawkins e um reino desconhecido chamado “Abismo”, onde o vilão Vecna mantém suas vítimas.

O Que São Buracos de Minhoca?

Buracos de minhoca são atalhos teóricos no tecido do espaço-tempo, propostos pela Teoria da Relatividade de Albert Einstein e Nathan Rosen, chamados originalmente de pontes de Einstein-Rosen. Na busca por uma Teoria de Tudo que modelaria todo o Universo, Einstein procurou soluções matemáticas para as equações da relatividade geral que se assemelhassem a partículas.

O que ele e Rosen descobriram, então, foram conexões semelhantes a pontes entre partes distintas do tecido cósmico. Essas pontes, entretanto, só vieram a ser pensadas como possibilidade de meios para viagens interestelares muitos anos mais tarde, no final da década de 1980, quando o físico Kip Thorne começou a explorar este potencial.

A ideia ganhou impulso nas décadas seguintes, especialmente com os trabalhos do físico Kip Thorne e de seu aluno, Chris Morris, que desenvolveram modelos de buracos de minhoca “atravessáveis”, cuja garganta poderia permanecer aberta para permitir a passagem segura de viajantes. Esses modelos inspiraram histórias de ficção científica e motivaram estudos científicos, mas dependem de um tipo de “matéria exótica”, com massa negativa — algo que não foi observado na natureza e que seria necessário para estabilizar essas estruturas antigravitacionais e evitar que colapsem.

“Em tese, seria parecido com um teletransporte, mas usando portais. A ideia envolve um buraco negro conectado a um buraco branco, permitindo uma travessia entre dois pontos do espaço.”

Apesar das décadas de pesquisa teórica, construir ou encontrar um buraco de minhoca real permanece extremamente improvável com o conhecimento atual. Mesmo que a matéria exótica existisse, seria necessária uma quantidade de energia equivalente à de milhões de sóis para criar um buraco de minhoca que conectasse regiões distantes do espaço. Por isso, por enquanto, essas passagens são consideradas possibilidades matemáticas fascinantes, mas ainda fora do alcance tecnológico ou observacional da humanidade, e as viagens interestelares continuam sendo sonhos da ficção científica.

Buracos de Minhoca na Ficção

A astrofísica Roberta Duarte já explicou que a teoria do buraco de minhoca é o conceito mais próximo do teletransporte visto na ficção científica, embora ainda muito distante da realidade.

“Em tese, seria parecido com um teletransporte, mas usando portais. A ideia envolve um buraco negro conectado a um buraco branco, permitindo uma travessia entre dois pontos do espaço. Logo depois, até mesmo Einstein já havia afirmado que isso é extremamente hipotético e não tem como existir”, explicou Roberta.

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