O Grupo Everest publicou 190 GB de dados roubados da Petrobras. Os arquivos, divididos em quatro partes, estão disponíveis para download gratuito na internet. A invasão ocorreu por meio de credenciais comprometidas da empresa terceirizada SA Exploration.
Entre as informações disponíveis, há dados brutos como coordenadas de navios, posições de nós OBN, precisão de DGPS e informações de controle de qualidade, além de uma série de relatórios técnicos. Também há detalhes sobre disparos e direções das fontes, profundidades e pressões usadas, metadados de equipamentos e parâmetros de movimento dos navios.
Antes do vazamento completo, o grupo alertou sobre a gravidade potencial do incidente, argumentando que o acesso antecipado a esse material poderia causar prejuízos significativos. Segundo eles, concorrentes que obtivessem esses dados poderiam avaliar a precisão do posicionamento, entender configurações e padrões operacionais e até replicar ou otimizar modelos semelhantes, o que reduziria significativamente a vantagem competitiva da estatal.
Pela natureza técnica das informações vazadas, não é possível confirmar o potencial impacto do incidente nas operações da Petrobras. A empresa se manifestou sobre o ocorrido:
“A companhia foi comunicada sobre uma ocorrência pontual de exposição não autorizada de informações, a partir do ambiente de uma prestadora de serviços de exploração, que não compromete as operações, clientes ou colaboradores da Petrobras. A Petrobras está acompanhando o caso junto à fornecedora, reforçando orientações de segurança e monitoramento.”
O perigo dos vazamentos corporativos
Independentemente da tecnicalidade envolvida nos arquivos, vazamentos como esse podem criar muitas brechas para a empresa afetada. Ao chegar na Dark Web, o material vazado passa a ser amplamente buscado por criminosos, que utilizam da inteligência corporativa obtida para melhorar golpes e potenciais investidas.
Além disso, há o risco da espionagem corporativa — possibilidade levantada pelo próprio Grupo Everest, no caso da Petrobras. Essa ameaça é uma das mais comuns no meio empresarial, e ocorre justamente quando uma companhia obtém informações sensíveis da concorrência por meios ilegais.
Embora soe como algo improvável, não é difícil encontrar incidentes do tipo. Um exemplo recente envolveu o iFood, que afirmou ter sofrido um “ataque coordenado e sistemático” de espionagem, com mais de 170 mensagens de tentativas de compra de informações sigilosas direcionadas a executivos.
Ainda é cedo para afirmar como os arquivos vazados da Petrobras poderão ser utilizados. O caso continua sendo acompanhado para novas informações.
