A Comissão Europeia iniciou uma investigação contra a Meta por possíveis violações das leis antitruste. O inquérito visa determinar se a empresa está abusando de sua posição dominante no mercado ao restringir a integração de chatbots de inteligência artificial de empresas concorrentes no WhatsApp. Essa ação tem como objetivo prevenir danos irreparáveis à concorrência no crescente setor de IA.
A investigação surgiu após a Meta atualizar as diretrizes da API do WhatsApp Business em outubro. As novas regras proíbem explicitamente que provedores de tecnologia utilizem a interface do mensageiro para distribuir chatbots de IA de uso geral. Essa restrição impede que milhões de usuários acessem alternativas à ferramenta própria da Meta, a Meta AI, que permanece integrada e acessível no aplicativo.
Se for comprovada a infração às leis de concorrência do bloco europeu, a Meta poderá enfrentar multas substanciais, que podem chegar a 10% de sua receita anual global. Com base nos ganhos projetados para 2024, esse valor poderia alcançar aproximadamente US$ 16,4 bilhões (equivalente a cerca de R$ 85 bilhões).
A política implementada pela Meta faz uma distinção clara entre os tipos de IA permitidos. Embora empresas ainda possam usar automação para suporte ao cliente (como bots de atendimento), o uso da API para integrar tecnologias de IA como assistentes de uso geral foi vetado. Para novos provedores, a restrição entrou em vigor em 15 de outubro de 2025. Empresas que já operavam na plataforma têm até 15 de janeiro de 2026 para se adequar às novas diretrizes. Um exemplo notório é a OpenAI, criadora do ChatGPT, que removeu sua tecnologia do WhatsApp, impactando milhões de usuários.
Paralelamente, no Brasil, as startups Luzia e Zapia, que foram diretamente afetadas pela decisão da Meta, apresentaram um pedido semelhante ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). As empresas argumentam que as novas limitações contradizem a postura anterior da Meta, que chegou a incentivar o desenvolvimento dessas soluções no mensageiro.
Em sua defesa, a Meta classificou as acusações de anticompetitividade como “infundadas”. A empresa alega que os sistemas do WhatsApp Business não foram projetados para suportar a carga de processamento exigida por chatbots de IA de uso geral em larga escala. Além disso, a Meta sustenta que já existe competição suficiente no mercado de inteligência artificial.
