A Rocsys, uma startup holandesa de carregamento autônomo, identificou um gargalo no mercado de robotáxis. De acordo com seu CEO, Crijn Bouman, o carregamento manual desses veículos consome muitos recursos e eleva os custos operacionais. Para resolver isso, a empresa desenvolveu braços robóticos capazes de automatizar completamente o processo de recarga.
Essa solução inovadora pode gerar uma economia de até 70% nos custos. Bouman explica que, em depósitos de robotáxis nos Estados Unidos e na China, é comum a proporção de um funcionário para cada 12 a 14 veículos. Em uma frota de dez mil carros, isso implicaria na necessidade de contratar até mil pessoas apenas para as operações de carregamento e manutenção básica.
Como funciona o carregamento automatizado?
A Rocsys integra braços robóticos a pontos de recarga já existentes, convertendo estações convencionais em carregadores autônomos. O objetivo é reduzir a dependência de mão de obra para conectar e desconectar os veículos. Bouman detalha que o processo manual pode levar entre 300 e 400 segundos por veículo, incluindo a conexão do cabo, inspeção visual, limpeza rápida do interior e posterior desconexão. Essas interrupções frequentes diminuem a eficiência do trabalho.
Questionado sobre o impacto nos empregos, o executivo ressalta que a função de carregamento manual já apresenta altíssima rotatividade. “Não é uma carreira. É apenas andar por um depósito, conectar um veículo e limpar uma tela. A permanência média é de cerca de três meses”, afirma Crijn Bouman. Com a automação, a Rocsys prevê que um funcionário poderá atender o dobro de veículos. A empresa também está desenvolvendo protótipos para inspeção automatizada e já possui um sistema funcional para limpeza interna.
Mercado em Crescimento e Desafios
O CEO da Rocsys aponta um crescimento notável no mercado de robotáxis nos EUA e na China. Atualmente, entre três mil e quatro mil robotáxis circulam nas ruas norte-americanas, contando com frotas de empresas como Waymo e Zoox. Para atender uma frota de seis mil veículos, por exemplo, seriam necessários aproximadamente mil pontos de carregamento. A automação promete uma economia de custos que pode variar de 30% a 70% já no primeiro ano.
Bouman enfatiza a importância das operações de manutenção e carregamento: “As operações são uma área completamente negligenciada que, se não for bem gerenciada, pode inviabilizar o modelo de negócio.”
Apesar do otimismo, o setor de carros autônomos também enfrenta desafios. Em 2024, a GM encerrou os serviços de sua subsidiária de táxis autônomos, Cruise. Além disso, um recente apagão em San Francisco causou confusão entre os robotáxis da Waymo, gerando congestionamentos e críticas.
Mesmo diante desses obstáculos, a Rocsys antevê um período de intensa disputa de mercado nos próximos dois anos. Parceiras estratégicas estão surgindo, como a anunciada entre Uber e Nuro em julho, e a própria Rocsys já firmou um contrato com um grande cliente de robotáxis nos Estados Unidos, cujo nome ainda não foi divulgado.
